Retirantes
Levado pelo
destino
Vida e sonho distante...
Sede, fome,
desatino,
Cansado,
faminto, ofegante...
Jogado pelas
ruas,
Lembra-se da sua
palhoça...
Tralhas
simples... suas,
Gente pura, humilde,
roça...
Hoje vida sem
graça,
O “gole” te faz
um afago...
Já faz parte da
praça,
Largado a beira
do lago...
Retirante com
muita saudade,
Mendiga um
pedaço de pão...
Sobrevive a
realidade,
Sofre a própria destruição...
Iludido pela
riqueza,
Saiu em busca da
terra...
Deixou saúde e
beleza,
Soldado nesta
guerra...
Não há um dia
sequer
Chora...
Saudades do mato
Lembra-se de
filho e mulher,
Saiu sem um
toque, sem tato...
Nem lembra o
rosto,
A cabeça já não
obedece...
Aperto no peito,
desgosto,
A alma por vezes
padece...
O corpo é levado
pra casa,
Enganado sem
saída...
Deixado numa
cova rasa...
Morto, não tem
mais vida...
L.Oliveira
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