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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

"Nego"

 “Nêgo”

O sino anuncia a chegada,
O cão preguiçoso nos vê...
Cheiro de terra molhada,
 Anfitrião vem receber,

Trazido, folhas ao vento...
Sorriso aberto e pronto,
O tempo segue mais lento,
A espera de causos e contos,

Cortes, entalhes... drama,
Terra, barro e vida...
Cobertos durante o relento,
Formas envoltas de rama,

Mãos cansadas do tempo
Hábeis, abençoadas...
Natureza e seu lamento,
Agora emolduradas...

Geraldo naturalmente,
Rostos, bichos, sonhos...
Artista, simplesmente...
Prelúdio, Nêgo!

Levado ao mundo inteiro...
Simplício... valente,
Iluminado, jardineiro...
Formas de bicho-gente,

Mundo de musgos e barro...
Cores e cores da lama,
Menino, cobras... jarro,
Repudia sua fama...

Força do Sol e da Lua,
Potiras, amores de lama...
Vida em arte, nua...
Dorme acordado na grama

                                            L.Oliveira

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ventos...

Vento

Sinto seu cheiro no vento,
Cansado de tanto ventar...
Sopro forte de tormento,
Trazendo folhas no ar...

Silêncio refrescante,
Vento, brisa do mar...
Fez-me tolo... Amante,
Querias apenas brincar...

Tempestade simplesmente,
Com seu beijo embriagante...
Desfaz-se calmamente,
Em seu colo aconchegante...

Sem destino certo,
Sem ter hora pra chegar...
Entra sem pedir licença,
Sai sem esperar...

Leva contigo as primaveras,
Noites frias de lamento,
Ficam somente as lágrimas,
Molhando o sentimento...

Anunciando tempestade...
Chega forte e voraz,
Traz contigo saudade,
Tornado de guerra e paz...

                                                             L.Oliveira


quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sonhos...beijos

Sonhos

Sonhos e beijos,
Sonhos de sonhador...
Acordados, profanos,
Acalantos de amor...

Ao acordar seu sorriso,
De volta ao paraíso...
Lambuzo-me de beijos,
Largado e indeciso...

Seus olhos dizem segredos,
Quais nem quero saber...
Viveria e morreria de novo,
Sem sequer compreender...

Deitar em seu colo de sonhos,
Desfazem-se amarras e laços...
Juntos... cheiro de beijos,
Sonhar acordado em seus braços...

                                                              L.Oliveira

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Dois...

Dois

Almas gêmeas perdidas,
Corpos e corpos sofrendo
Desesperadas, sofridas...
Sopro de amor aquecendo

Dois mundos, duas vidas,
Caminhos tortos, distantes...
Encontros e despedidas
Mudam a todo instante

Sabores e cheiro da terra
Queria tudo saber...
Encontra com sua quimera,
Somente pra se aquecer...

Anda descalça, vagando...
Sandálias perdidas no tempo
Dorme acordada sonhando,
Seu simples e puro lamento,

Sonhos levados, sonhando...
Palavras soltas ao vento,
Afagos de amor suspirando
Vê-se jogada ao relento...

Um dia, nesta ou noutra vida,
Encontro tão aguardado,
Só resta esperar...
Nem percebe... estou ao seu lado!

                                                                                                                    L.Oliveira

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Saudades !

Saudades!

Esta dor não tem remédio,
Dói na alma não tem jeito...
Vive junto a esse tédio,
Como espada corta o peito

Desfaz-se rapidamente,
Ao rever teu sorriso...
Nem disfarço...simplesmente,
Estou de volta ao paraíso

Vejo só o bom da vida,
Esta é curta tenho pressa...
Sigo amando novamente,
Sem pensar em despedida!
                                          L.Oliveira




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Cores

Cores


Flores da vida,
Vivas, desgastadas...
Sinais de partida,
Cores da estrada...

Mortas e imortais,
Do céu e da serra...
Novas... surreais,
Cores sagradas da terra,

Gente e bicho,
Escondidas nas cores...
Procuram abrigo,
No perfume das flores...

Chuva e sol,
Arco-íris no ar...
Mar, peixe, coral,
Amor para amar!!!

                              L.Oliveira


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Vidas e vidas...

Vidas e vidas...


Vidas divididas,
Palavras ao vento...
Profanas e perdidas,
Desgaste do tempo,

Fúria ao relento,
Troca de amores...
Choro e lamento,
Perdeu seus valores...

O ciclo não para,
O tempo é o juiz...
Ferida não sara,
Fingindo ser feliz...

Bocas... corpo e alma,
Pedaços e cacos ao chão...
Dor de amor, d’alma,
Pranto e aflição...


Procura sua metade,
Transforma-se por completo...
Encontros, mentira e verdade,
Muda a linguagem, dialeto...


Vida levada ao avesso,
Esta passa veloz...
Tralhas sem valor nem apreço,
Nunca desfazem os nós...


A diversidade atrai,
Caminhos tortos distantes...
Casos e contos demais,
Nada será como antes.


Bicho que vive no mato
Fera, algoz destemida,
Perdida sem rumo nem trato,
Lambe a própria ferida...

O acaso sempre convém
A caça se vê abatida,
Sacia-se como ninguém,
Embriagada, nutrida...

Eis que chega o fim...
Lágrimas que pouco convém,
Olhar perdido na vida
Olha ...não tem  ninguém!

                                                                          L.Oliveira

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Negra Pele...


Negra pele
 
A ferro e correntes levados,
Seu dono nada temia...
Marcados como bicho, gados,
Gritava,chorava,sofria...
 
Toda a noite chorava...
Bradava aos orixás,
Terra distante lembrava...
Sabe que nunca verás,
 
Trazidos doutro lado do mundo
Negros e brancas amantes
Mistura de raça e credo
Nada é mais como antes
 
Rostos, sorrisos banidos,
Em troca açoite e tronco...
Feito bichos acuados,
Sangue e sonhos perdidos,
 
Quem sabe um dia fugir,
Quilombola, raiz de um povo...
Encontro de sons e credos,
Começa a vida de novo...
 
Hoje são donos da bola
Vitória após toda guerra...
Negros de todas as cores...
Reis e rainhas da terra.


                                          L.Oliveira

Reflexo...


Reflexo
 
Em frente ao espelho mais um,
Não reconheço esta imagem...
Buscando traços e formas,
Levo o tempo na bagagem...
 
 
Trapos, retalhos de uma vida,
Corpo, alma, e bobagem,
Olhar tristonho, sem saída...
Mãos cansadas da viajem...
 
Pele de Sol e vento...
Olhos carecem de lentes
Cabelos brancos... relento...
Corpo nada fulgente,
 
 
Cochilos à luz da lua,
O brado já não entoa medo...
Tropeços e tombos nas ruas
Levados feito brinquedo...
 
 
Solidão maior cada dia,
Lembro-me... brisa e serra...
Sinto falta da vida vadia,
Flor brotando na terra...
 
 
A morte espera ao lado,
Sentada a balançar...
Sozinho, sofro calado,
Tem tempo, pode esperar...
                                    L.Oliveira