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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

vida


Vida...

  

Naquela noite a luz se apagou...

O dia amanheceu cinza,

O sol preferiu não sorrir...

O vento não ecoou...

 

As flores do caminho murchas, mortas,

A esperança insiste em partir...

As nuvens choraram gotas de sangue,

O silêncio, palavras tortas...

 

Lágrimas de sangue,

Se foi... sem se despedir,

Sequer deixou tocar...

Seu corpo não pude sentir...

 

Busca uma nova morada,

Corte profundo, inciso...

Os olhos vagueiam no nada,

Sem vontade, sem sorriso...

 

Adornos e afagos... lembranças,

Dias e dias a sofrer...

Se foi toda esperança,

Seus passos, jamais vamos ver...

                                                                                 L.Oliveira

 

 

 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Retirantes


Retirantes

 

Levado pelo destino

Vida e sonho distante...

Sede, fome, desatino,

Cansado, faminto, ofegante...

 

Jogado pelas ruas,

Lembra-se da sua palhoça...

Tralhas simples... suas,

Gente pura, humilde, roça...

 

Hoje vida sem graça,

O “gole” te faz um afago...

Já faz parte da praça,

Largado a beira do lago...

 

Retirante com muita saudade,

Mendiga um pedaço de pão...

Sobrevive a realidade,

Sofre a própria destruição...

 

Iludido pela riqueza,

Saiu em busca da terra...

Deixou saúde e beleza,

Soldado nesta guerra...

 

Não há um dia sequer

Chora... Saudades do mato

Lembra-se de filho e mulher,

Saiu sem um toque, sem tato...

 

Nem lembra o rosto,

A cabeça já não obedece...

Aperto no peito, desgosto,

A alma por vezes padece...

 

O corpo é levado pra casa,

Enganado sem saída...

Deixado numa cova rasa...

Morto, não tem mais vida...

                                                   L.Oliveira

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Meretriz...


Meretriz

 

Levadas a extrema pobreza,

Rainhas, donas das ruas...

Roubaram sua riqueza,

Desleixadas seminuas...

 

Sem o menor pudor,

Vendem corpo e sorriso...

Trocados, pouco valor,

Aceno e gesto conciso...

 

Destino sempre covarde

Descaso e vida vadia...

Morre com sede e fome,

Míseras notas desta sinfonia!

 

Homens bêbados e rudes,

Queixam-se de coisas banais...

Toscos, sem atitudes,

Mundos distantes, surreais...

 

Jogada, suada, desnuda...

Sempre espera o pior,

Juventude trocada... permuta,

Sonhando um dia melhor...

 

Entrega-se ao novo senhor,

Hora marcada, tens que partir,

Ama e beija, sem pudor...

Chora, geme... sabe mentir,

 

Sorrindo da vida vazia,

Dinheiro fácil ao vento...

Abusa da simpatia,

Vive seu fútil momento...

                                         L.Oliveira

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Hoje


Hoje

Hoje um novo olhar,

Menina moleca, senhora...

Vidas e vidas passadas,

Tempos... Lembranças de outrora,

 

Sinto-me livre a sonhar,

Sonhos e sonhos... Saudade,

Noites seguidas a vagar...

Carícias de Amor, felicidade...

 

Olhar às vezes perdido,

Hoje aceso novamente...

Coração dispara, nutrido,

Cheio de amor, finalmente...

 

A espera torna-se longa,

Horas, semanas, meses...

Ansiedade toma conta

Lágrimas e risos às vezes,

 

O choro preencheu o vazio,

Há tempos esperei ouvir...

Corre... livre  pelo casario,

Chora sem nada sentir...

 

Criança correndo, sadia,

Cresce brincando, corada...

Não se preocupa, só brinca,

Sempre querida, amada...

 

Jovem, dona da verdade,

Levada pela emoção...

Menina-moça, saudade,

Caminhos do coração...

 

Choros, rostos tisnados...

Amigas, sorrisos, razão,

Filhas e netas, cuidados...

Nova vida, nova paixão!

                                                     L.Oliveira

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sonho bom...


Sonho bom...

 

Há quem viva a suspirar,

Quem não dê nem atenção...

Apaixonados a sonhar,

Entregam-se por paixão...

 

Amor e ódio, eternos irmãos,

Caminham lado a lado...

Bagunçando o coração,

Que sofre dilacerado...

 

Tentam sempre perturbar,

Jogos de amor e sedução...

Vivem a machucar,

Qual tem compaixão?

 

Nesta eterna batalha,

Dizem-se triunfantes...

Saltam sob as muralhas,

Nada mais é como antes...

 

Vencedor e indeciso,

Vibra feliz, sem ter razão...

Talvez fosse preciso,

Arrancar o coração...

 

Todos saem perdendo,

Nesta guerra de horror...

Tristes, sozinhos, sofrendo,

Sem ter nenhum clamor...

 

Chega a casa, abatido,

Procurando a amada...

Procura sem sentido,

Já saiu em revoada...

 

Foi buscar outros amores,

Já cansada desta guerra,

Perdeu todos os valores,

Encontrando a paz na terra...

 

Desperta ofegante,

Sonhos e pesadelos...

Pensou por um instante,

Que fossem verdadeiros...

                                         L.Oliveira

Folhas


Folhas

 

Tudo foi perfeito,

Flor tão linda preciosa...

Devia ser seu jeito,

Bela, simples, graciosa...

 

Folhas levadas ao vento,

Quebradiças e tortas...

Frio e fome ao relento,

Palavras incertas... Mortas...

 

Sou levado ao léu,

Por um sopro constante...

Quem sabe a caminho do céu,

Reconheça seu semblante...

 

Encontro nada brilhante,

Só me faz sofrer...

Retorno, ainda viajante,

Antes de padecer...

 

Seiva percorre as veias,

Hoje sem explicação...

Já não tenho os frutos,

Perdi toda razão...

 

 

Vento que sopra em vão,

Me leve pra longe daqui...

Não sou mais sua paixão,

Só me resta partir...

 

Sabemos que no céu,

Existem muitos jardins...

Encontrarei este meu mel,

Flor divina de jasmim...

 

Faria tudo novamente,

Flor tão linda... Imponente...

Só pra sentir teu perfume,

Morreria... Simplesmente...

                                                L.Oliveira

Loucos


Loucos
 
 
Loucuras do dia a dia,
 
Raios de Sol inconstante,
 
Noite escura sombria,
 
Desconhecido, relutante...

 

Alento muito ofegante...

Dispensa todo cuidado,

Choque de mundos, errante...

Violento, amarrado, açoitado,

 

Enfadado de tanto abandono,

Segue como demente...

Vive a margem... sem dono,

Escarnecem, zombam da gente.

 

Loucos apaixonados...

Postam-se em sacrifício...

Dormem e sonham acordados,

Atiram-se no precipício,

 

Sem medo de errar,

Encontram a paz desejada...

Dementes se põem a gritar

Andarilhos na madrugada...

 

Asilado, sem esperança,

Extasiado de sua clausura...

Lúdico... vira criança,

Aguarda o milagre da cura...

                                                     L.Oliveira

 

Almas


 

Almas

 

Mortas ou vivas, imortais...

Caridosas, queridas...

Sonhos, tormentos e paz...

Banidas, sofridas, acolhidas,

 

Segredos d’alma, da gente,

Perdidas, penadas, salvas...

De cão ou gato, de bicho doente...

Perversas, boas ou más...

 

Cores d’alma, da vida,

Submissas, escravas, libertas...

Vidas e vidas, veneradas,

Caminhos d’alma, dos rios e ventos...

 

Cheiro d’alma, sensação...

Lágrimas e lamentos...

Gritos de dor, de medo, paixão,

Limpas... Leves... Lindas...

 

Temores, cansaço... Solidão,

Pedaços de alma vendidos,

Corpos vazios comprados...

Vidas e almas em vão.

                                                  L.Oliveira

 

Sereias


 

Sereia’s

 

Corpo de sereia, olhar cativante...

Voz contida, imersão...

Temor de qualquer navegante,

Seguir seus lábios na imensidão...

 

Quem me dera um dia sentir,

Ver e ouvir Janaína...

Sei que terei que seguir,

Perder-me no seu jeito de menina...

 

Verdade, mentira, excitação...

Chorando querendo voltar,

A vida perdeu a razão...

Sem seu colo, não posso ficar...

 

A alma se rende aos encantos,

Duma sereia encantada...

Sem você... Olhos em prantos,

Despeço-me desta jornada!

                                  L.Oliveira