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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Retirantes


Retirantes

 

Levado pelo destino

Vida e sonho distante...

Sede, fome, desatino,

Cansado, faminto, ofegante...

 

Jogado pelas ruas,

Lembra-se da sua palhoça...

Tralhas simples... suas,

Gente pura, humilde, roça...

 

Hoje vida sem graça,

O “gole” te faz um afago...

Já faz parte da praça,

Largado a beira do lago...

 

Retirante com muita saudade,

Mendiga um pedaço de pão...

Sobrevive a realidade,

Sofre a própria destruição...

 

Iludido pela riqueza,

Saiu em busca da terra...

Deixou saúde e beleza,

Soldado nesta guerra...

 

Não há um dia sequer

Chora... Saudades do mato

Lembra-se de filho e mulher,

Saiu sem um toque, sem tato...

 

Nem lembra o rosto,

A cabeça já não obedece...

Aperto no peito, desgosto,

A alma por vezes padece...

 

O corpo é levado pra casa,

Enganado sem saída...

Deixado numa cova rasa...

Morto, não tem mais vida...

                                                   L.Oliveira

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Meretriz...


Meretriz

 

Levadas a extrema pobreza,

Rainhas, donas das ruas...

Roubaram sua riqueza,

Desleixadas seminuas...

 

Sem o menor pudor,

Vendem corpo e sorriso...

Trocados, pouco valor,

Aceno e gesto conciso...

 

Destino sempre covarde

Descaso e vida vadia...

Morre com sede e fome,

Míseras notas desta sinfonia!

 

Homens bêbados e rudes,

Queixam-se de coisas banais...

Toscos, sem atitudes,

Mundos distantes, surreais...

 

Jogada, suada, desnuda...

Sempre espera o pior,

Juventude trocada... permuta,

Sonhando um dia melhor...

 

Entrega-se ao novo senhor,

Hora marcada, tens que partir,

Ama e beija, sem pudor...

Chora, geme... sabe mentir,

 

Sorrindo da vida vazia,

Dinheiro fácil ao vento...

Abusa da simpatia,

Vive seu fútil momento...

                                         L.Oliveira